Eu nem sei como essa porra continua girando!

Ei São Paulo, vai se fudê!
To ligado que é aqui que eu vou morrer!

É favela queimada, as rua cercada
E os coxa bolando mais uma cilada!

Política fascista. Polícia racista
E eu vou rimando enquanto te passo as fita!

Os nego ocupa
Os político tudo puta
E no vacilar, os cuzão esquece da luta

Sem valor pra vida humana
E do amor, eles desencana
É pai contra filho e mãe contra pai
E os porra dos machista que nunca cai

Enquanto acendo o beque na viela 
sem dar trela pra não assustar as véia
Empresários e ruralistas matam adoidado
E eu que sou chamado de drogado!

Não vou mais comprar sua solução
Vendida nos comerciais de televisão.

Consumindo o mínimo e fodendo com a disciplina
de um sistema que te alucina
Mata e te endoida

Aliás… olha a carta do Serasa na sua porta!

Fodem teu CPF pra ver se tu esquece
Que também é gente, porra! E se endoidece…
As rua do centro te esperam. Manicômio da peste!

Pode pá que é na madrugada adentro que nóis se esquece.

Karma

Ela pediu pra eu ficar

“Tá chovendo picas e pá!”
Falou enquanto bolava mais um

Ligou pro seu chefe e mandou tomar no cu

Vendo nossas roupas espalhadas no chão
Não vejo uma melhor opção

Falam que é um dia a menos

Mas foda-se essa matemática, tá ligada?
Não vejo um lugar melhor que aqui, agora
Por uma pequena janela, olho lá fora
E o mundo ainda parece uma cilada

Me largo novamente em seu colchão
Entregue a seu cheiro
Sem documentos e sem dinheiro
Sem nada para tirar a atenção

Do que realmente importa

Foda-se o amanhã
Ele, por si só virá
E nem adianta se preocupar

O tempo nem parece existir
E com sua cabeça sobre meu peito
Nem me preocupo com o que vem a seguir

Sem máscaras e sem roupas
Não somos mais apenas coadjuvantes
Perdidos no olho dessa selva de pedra
Me disseram suas pupilas, brilhantes.

Bike na Rua, Beck no Gueto.

Na selva de pedra, pedalo e me desprendo
22 anos nesse veneno, Sampa é um gueto
Onde guerras de ego corrompem as pequenas mentes
Sobre o asfalto que verte a cidade de preto

O sinal se abre e meu suor destila pensamentos
Será que apagaram a luz e não avisaram ninguém?
Escritórios, Etiquetas e Mandamentos
As pessoas gostam mesmo de ser reféns?

Pisar na areia, um beck e uma boa transa.
A vida poderia ser um pouco mais simples se pá
Mas se não carregas a ambição do mundo, te chamam vagabundo.
Sei lá. Quem sou eu pra julgar?

Pensamentos interrompidos e um motorista a me ameaçar
O cara precisa da rua inteira. Não adianta cada um ter seu lugar
Bolo um tronco e mando se foder.
São Paulo é a terra onde tu vai morrer.

Sagan

Eu não sou o início e não sou o fim.
Sou apenas um viajante perdido em algum ponto aleatório entre estes dois extremos.
Pisando sobre o mesmo solo pelos quais meus antepassados caminharam e me clareando com o mesmo sol que brilhará sobre todas as gerações que ainda estão por vir.
O mesmo sol que iluminou Buda e Bakunin, Hitler e Alckmin.
Mas não sou apenas um ser só, perdido em solidão no tempo/espaço. Sou produto do mesmo material cósmico, formador de todo o resto ao meu redor, vindo do centro da mesma estrela.
Da árvore que dá frutos até a erva daninha, do sereno da manhã até o tsunami que suga uma cidade por inteiro: Sou eu.
Do ditador até o revolucionário: Sou eu.
Somos todos feitos do mesmo material, divididos em ID’s e, por algum motivo, nos rebelando contra nós mesmos.
Assassinando animais, escravizando crianças, acimentando a vida que brota do chão: Nosso ódio é contra nós mesmos!
Nossas moradias egoístas e burocráticas significam desabrigo ao nosso próximo, que somos nós!
A mesma tecnologia que facilita a vida no ocidente, escraviza no oriente.
Somos um câncer, nos suicidando lentamente.
Somos um erro da natureza que, por nascer prematuramente, temos experiências antes de nosso desenvolvimento completo, criando inteligência: o fruto do conhecimento do bem e do mal.
Todo dia quando acordamos, como nossos antepassados, temos a chance de transformar o que nos circunda com esta inteligência. A semente da Paz e da Exploração.
Construindo ou Destruindo: Nossas mãos destilam, modelam e nos entregam um futuro moldado pela inteligência.
Alimentando o que nos mata, ou o deixando morrer de inanição.
Somos uma grande moeda: Temos duas faces, próximas uma da outra, feitas do mesmo material e criadas a partir da mesma fundição, mas com as mesmas faces de costas uma para outra, sem enxergar e muitas vezes, sem nem saber da existência desta outra face.
Mas ela faz parte de nós! Ela é moldada por nós e nos molda. Ela SOMOS nós.
Sem um delicado equilíbrio, esta moeda sempre vai cair, aliviando um lado e esmagando outro. Dividido e “Uno” ao mesmo tempo.
Ao mesmo tempo que destruímos um lado, somos também destruídos.
Até o molotov contra a exploração no oriente médio também leva gasolina da Shell, exploradora do oriente médio! (Não que isso justifique o fim dos molotovs!).
E para uma revolução COMPLETA, a destruição não pode ser nem o começo!
Precisamos nos desconstruir, deixando os velhos padrões e valores deste sistema antiquado.
Não se engane! O sistema que habita nosso mundo e nossos corpos só cairá através da inanição(Não confunda com uma atitude passiva), não tendo mais nossas atitudes egoístas e nossas posses para se alimentar!
Para se existir vencedores, são necessários perdedores. Não jogue! Apenas viva!
Todo este apego e toda esta posse(sobre objetos e pessoas) só nos cega, nos faz esquecer que não temos nada e nos impede de nos entregarmos profundamente a força e beleza da vida, deixando apenas o mundo fluir através de nós, moldando nossa história. Sem medo! Pois afinal, o mundo e o próximo nada mais são que uma extensão de mim mesmo, esperando para serem reconectados!
Este perfeito equilíbrio só pode vir através de nós mesmos, quebrando cadeias de hierarquia(não importando nossas posições nestas) e vencendo guerras internas e externas através do silêncio que nos liberta e nos permite libertar. Onde nós somos o aluno e o professor, o guru e o aprendiz.
Onde nós somos nossos próprios e únicos mestres!

Monogamia?

Ela nunca ligou se alguém estava olhando
E nem se os cuzões estavam comentando
Ela não curte aqueles restaurantes caros
E prefere nem passar perto das baladas dos boys

Me empurrou contra o balcão da cozinha e arrancou a minha camiseta

Ela não liga pra monogamia
Não conhece as “morais e bons costumes”
E na real, ela nem se lembra dessas regrinhas
Que eles(a igreja ou sei lá mais quem) colocaram em nossas camas

Abriu minha braguilha e me olhou com seus olhos limpos

“Eu não preciso dessa porra de maquiagem”, ela me disse um dia desses.

Enquanto a panela apitava, tingindo o ar com aquele cheiro que não se pode comprar nos restaurantes, nós fizemos amor pela primeira vez.
Antes mesmo do primeiro jantar.

Crass e Fugazi pousam sobre seu toca discos, enquanto George Orwell e Aldous Huxley descansam em uma prateleira improvisada.
Jogou sua TV fora e não sabe que sons passam na rádio.

Respingos de tinta spray em seus dedos ao invés de unhas pintadas:
Os mesmos dedos que, habilmente bolam um baseado entre uma foda e outra.

Nunca desejou um carro e quase nunca a vi em um metrô.
“A cidade toma outra forma em cima de uma bike”, disse enquanto pedalávamos de madrugada para pixarmos aquela faixada do shopping.

Suas pernas se cruzaram sobre minha nuca, prendendo minha cabeça entre suas coxas. Seu sabor sempre me hipnotiza.

Nunca fomos a um restaurante. Nunca desejamos!
Pizza vegana e sexo na cozinha parecem opções melhores(Para se fazer ao invés de comprar)

Ela não precisa de perfumes. Sabe que seu cheiro, espalhado pelo travesseiro, serve de trilha para meus sonos. Sinestesia.

E eu sei que nunca a perderei. Porque eu não a tenho. E ninguém pode tê-la. Ela não está a venda, não é uma “posse”. Ela é livre.

Representa

Os mesmos trabalhos, as mesmas universidades, as mesmas contas, os mesmos programas de TV, as mesmas baladas, os mesmos relacionamentos superficiais.
Às vezes não parece que nossas vidas entraram em looping?

Esperamos ansiosamente por coisas novas, aplicando as velhas técnicas que nunca deram certo e quando questionados, criticamos formas alternativas de vida, falando que são utopias e que nunca funcionarão (sem ao menos tentar).

Mas a forma que temos vivido tem dado certo?
Temos encontrado real liberdade e satisfação em nossas vidas rotineiras?
E essa rotina, que nunca chega a um objetivo final não é também, por si mesma, uma utopia?

Entregamos o poder sobre nossas vidas para patrões, professores, políticos, pastores, pais e pessoas que, acima de nós na hierarquia, não tem real preocupação com nossos problemas.
Passamos a maior parte de nosso tempo entregues em servidão à vontade de outras pessoas, que são vistas como mais relevantes do que nós pela quantidade de bens e pessoas que estão abaixo delas.

Mas não pense que eles são os grandes culpados disso tudo!
A responsabilidade é nossa! Fomos nós que, covardemente nos excluímos de nossas próprias vidas, com medo da responsabilidade de nossos próprios êxitos e derrotas!
Claro! É muito mais fácil culpar alguém de sua vida não ser satisfatória do que assumir que somos os únicos responsáveis pelos sentidos de nossas vidas!

Representação é Letargia!

A Culpa é de Quem?

A gente reclama
E reclama
E reclama
E reclama porque reclama demais.
Mas será que não seria mais fácil fazer algo para mudar a situação?

Não! Isso te tiraria da sua zona de conforto, de quatro paredes de poucos metros quadrados que te protegem do “perigoso mundo” que traz a dor da realidade.
É mais fácil não assumir a responsabilidade da merda de onde estamos e apenas culpar fatores externos, sem nem ao menos tentar modificá-los.
Sentados, inértes, olhando a vida passar na tela de um computador.
Mas reclamar continua não ajudando
Só te torna mais cansativo.

Representados

E que tal sair pra rua e se apaixonar ao invés de assistir a representação (muito mal feita em geral) desse sentimento em um filme ou novela?
E que tal sair pro bar com os amigos ao invés de abrir um chat no Facebook?
E que tal jogar futebol em um domingo ensolarado ao invés de assistir um jogo “clássico” na frente da TV? (Cabe a qualquer outro esporte)
E que tal fazer arte ao invés de compartilhar imagens no Facebook?

E que tal viver ao invés de ser só mais um espectador da vida?

Espectadores de fumaça

Pessoas tentando, desesperadamente, provar o quão legais e descoladas elas são.
Escondidas atrás de uma tela de computador, vendo fotos tratadas com photoshop ou assistindo alguma representação da realidade pelo Youtube.
Criando (ou compartilhando) posts para apresentar a imagem de quem você queria ser.
Inertes e perdidos na falsa imagem (passada pela mídia) do que o mundo é.
Abandonados no tédio da observação da vida, nos enganando que a verdadeira felicidade esta lá: na imagem sobre como deveriam ser nossas histórias.
Expectadores da vida. Adiando nossas ações para um amanhã que nunca chega.

Mas estamos presos aqui! No mundo real!
Onde cada segundo é devorado, independente de você ter vivido ou não.

Nos enganamos emitindo a morte e evitando pensar neste momento (que um dia chegará)… mas talvez só possamos realmente viver após entendermos que nosso tempo é escasso e não só o amanhã é totalmente incerto, mas também a extensão de nossas vidas (e nosso fim).

Pense no que você estava fazendo ontem neste mesmo horário: Era algo excitante e relevante para sua história? Ou foram apenas mais alguns momentos de inércia no mundo, onde o ponteiro andou e o tempo não foi preenchido?

Que nossas vidas não se tornem em um eterno “por vir”!
Que possamos nos libertar do status de espectadores, criando e transformando não apenas o mundo ao nosso redor, mas também nossas histórias, nos recriando assim, dia a dia, em nossa própria obra prima que não pode ser vendida e nem negociada, seja com o salário de um trabalho ou com a inércia de uma tela de computador.

Saiamos dessas prisões (disfarçadas de paredes) que nos cercam e façamos algo!

Engrenagens

Nasce, Trabalha, Consome, Morre
Engrenagem
Substituível e irrelevante
Mais um servo delirante

A apertar botões, vidrado em uma tela
Oito ou Nove horas por dia
Dorme e se repete o processo
Servidão virou uma epidemia

Acorde cedo, não se atrase!
Você precisa se esforçar mais!
Não se esqueça das horas extras!
Não decepcione seus pais!

Como um cachorro atrás do próprio rabo
Escravo da expectativa do patrão
Trabalhando por interesses que não são os meus
E sustentando mais um ladrão