Madeira

[Ouvir Durante]

Em 91 nasci mais um errante de coração quebrado
E durante 21 verões, ajuntado pesos, carregando
Comigo. Transformando-os em meus medos.
De viver. De tentar. De ser só. Desde cedo

Eu alimento o que me mata
E de dentro pra fora, como um assassino
Crio planos, contra minha vontade
Perdendo a vida pra uma rotina longe da verdade

Da verdade que quero seguir
Ideais que ainda não consegui
Limitado, cheio de raiva e preso
Em uma prisão que eu mesmo escolhi

Rasgo meu peito,
Cheio de ódio e desespero
Sem nenhuma precisão
Sem bisturi, só facão

Quebro veias, arranco artérias
Duras e secas, em uma auto-mutilação
Nada pra sangrar, só pra doer
Nada pra chorar, só prostrar

Não é encontrado coração
Era o que eu esperava, afinal.
Só um pedaço de pau.
Arranhado, velho, marcado e protegido

De sentimentos, de vida,
De criar feridas
Colocado de forma oculta por mim mesmo
Indescoberto desde meu nascimento

Jogo entre meus pesos
Mais algo a se carregar
E com um buraco no peito
Morro devagar

Fraco e largando os pesos
Que desde o início cultivo
E carrego, sem perceber
Me preparo para morrer

A dúvida do a seguir me persegue
Sem coração e sem cura até então
Morro na praia, cheia, com todos olhando
Fingindo que não vêem. Vivem em vão.

Até então.

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